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Aprendendo sobre a leucemia
aguda
Tudo começa na medula óssea, a nossa fábrica de sangue. Ela é a
responsável pela produção dos glóbulos brancos (leucócitos), dos
glóbulos vermelhos (hemácias) e das plaquetas, principais
componentes do sangue. Qualquer alteração nesse "processo de
fabricação" (denominado hematopoiese) pode gerar vários problemas.
No caso da leucemia, o que acontece é uma produção descontrolada de
glóbulos brancos anormais, que prejudica a formação de todas as
demais células do sangue.
Os glóbulos brancos são, entre outras coisas, as células
responsáveis pela defesa do organismo contra as infecções; em
destaque há um tipo especial de leucócito (o neutrófilo), que é o
que cuida da proteção do organismo contra as bactérias. As plaquetas
agem controlando as hemorragias. Já os glóbulos vermelhos são os
responsáveis pela cor vermelha do sangue e pelas trocas gasosas de
oxigênio e gás carbônico.
Fatores de risco
Quando a medula óssea produz um único glóbulo branco anormal
milhões de outros serão gerados, por isso a palavra leucemia
significa "sangue branco". O mecanismo que causa esse "erro de
fabricação" ainda não está completamente esclarecido. Sabe-se que
algumas condições influenciam no aparecimento da leucemia, como
doenças genéticas (exemplo: síndrome de Down), radiação (exemplo:
sobreviventes de bombas atômicas lançadas no Japão), algumas drogas
quimioterápicas usadas no tratamento de outros tipos de câncer, e
alguns tipos raros de vírus.
Tipos de leucemia
Existe uma grande variedade de leucemias dependendo do tipo de
leucócito afetado, do seu tempo de amadurecimento (maturação) e do
período de evolução da doença. Mas em geral, a leucemia é dividida
em crônicas e agudas:
- crônicas - caracterizam-se pela proliferação de leucócitos
maduros. Apresentam poucos sintomas e, geralmente, o curso da
doença é mais lento, ou seja, as manifestações clínicas podem
demorar meses ou mesmo anos para surgir;
- agudas - são as leucemias causadas pela proliferação de
leucócitos jovens (imaturos), que são chamados de blastos
leucêmicos. Estas células se acumulam rapidamente na medula óssea,
levando à insuficiência medular, que provoca anemia (diminuição do
número de hemácias), plaquetopenia (diminuição do número de
plaquetas) e neutropenia (diminuição do número de leucócitos
protetores).
Os sintomas de leucemia aguda são decorrentes desta insuficiência
medular. Veja no quadro abaixo:
| Alteração
hematológica |
Sintomas
|
| Anemia |
Cansaço, fraqueza,
prostração,palidez e falta de ar |
| Neutropenia |
Febre, infecções na pele e pneumonia |
| Plaquetopenia |
Sangramento pelo nariz, nas gengivas, na boca,
sangramento menstrual exagerado e aparecimento de sangramento
na pele |
Como diagnosticar
O diagnóstico é feito pelo médico quando é identificada a
presença de alterações específicas no hemograma (aparecimento dos
blastos leucêmicos no sangue), e principalmente pela avaliação da
medula óssea realizada pelo médico hematologista ou patologista (que
examina o aspirado da biópsia de medula óssea).
Formas de tratamento
A leucemia aguda é uma doença grave, por isso, assim que for
diagnosticada, a pessoa deve ser internada em um hospital. O
tratamento é dividido em duas partes: tratamento de suporte e
quimioterapia:
- tratamento de suporte - consiste na reposição dos elementos
sangüíneos por meio de transfusões de sangue (concentrado de
hemácias e plaquetas) e tratamento de infecções com antibióticos;
- quimioterapia - é a administração de medicamentos
anticancerígenos que tem por objetivo a eliminação dos blastos
leucêmicos (células cancerosas), o que possibilita a restauração
do funcionamento da medula óssea. Estes medicamentos costumam
causar efeitos colaterais, como queda de cabelo, vômitos, e perda
de apetite.Entretanto existem, em paralelo, vários medicamentos e
medidas de suporte que minimizam tais efeitos colaterais.
Geralmente são necessárias várias sessões de quimioterapia para
garantir que todos os blastos leucêmicos sejam eliminados.
Transplante de medula óssea
Indicado para os casos de maior risco, o transplante de medula
óssea consiste na substituição da medula óssea doente por uma
saudável. Ao contrário da maioria dos transplantes, este é um
procedimento clínico que não exige a realização de uma cirurgia.
Atualmente, estão sendo realizadas várias pesquisas científicas
no mundo todo para entender melhor a biologia desta doença, o que
vem possibilitando a introdução de novas modalidades de
tratamento.
Vale destacar que a resposta ao tratamento depende principalmente
do subtipo de leucemia aguda (as leucemias agudas são classificadas
em subtipos), da idade, do tratamento e das características
biológicas da célula alterada. Um tipo de leucemia, a linfóide
aguda, apresenta índices de cura (remissão prolongada) em crianças
na faixa de 80%, o que é particularmente alentador para médicos,
pais e crianças. |